Poema ao Ancião
07:20Oh, ancião
De longas barbas brancas!
Ensina-me a escrever
Como tu, em sabedoria!
Ensina-me a escrever
Sobre as pessoas e sobre as plantas
Sobre o vento e sobre os mares
Sobre a melancolia e a alegria
Sobre as coisas e eu.
Os teus olhos pousam artisticamente no mundo,
O teu olhar absorve toda a existência,
Que passa cuidadosamente de ti para o papel...
A caneta é uma extensão de ti
E a tinta é a tua essência...
Oh, ancião, mestre!
Ensina-me a escrever como tu,
Ensina-me a olhar o mundo
Como se fossem os meus olhos duas esferas de cristal
E como se fosse o próprio mundo
O núcleo da minha matéria,
O cerne do meu ser e saber.
Ensina-me a dominar o meu amor pela tinta da esferográfica
E a sobrancear as palavras que da grafite se podem ler.
Já me mostraste que se pode ser tudo quanto és
Mas quem a meta vê, o percurso não conhece...
Quero aprender o percurso da flecha,
Oh, ancião, ensina-me a ser poeta!
O verso livre é a alma livre.
Quero ser um poeta livre.
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